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Fonte: Associação Brasileira de Estudos das Inteligências Múltiplas e Emocional.

How to remove nuclear material from a mouse oocyte.

Cientistas criam roedor “à prova de frio”
Estudo mostra que molécula responsável por sensação de temperatura baixa é a mesma que induz o frescor da menta

Animais geneticamente alterados se sentiam bem a 10C; trabalho pode ajudar na busca de drogas contra a dor em seres humanos

RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL

Uma ninhada de camundongos geneticamente modificados para se tornarem insensíveis ao frio ajudou cientistas a descobrirem qual é a molécula responsável por transmitir a sensação de temperatura baixa em mamíferos. Em estudo publicado hoje, os pesquisadores mostram que a proteína que faz o cérebro receber a informação sobre frio é a TRPM8, a mesma que reage em contato com balas mentoladas na boca (veja o quadro à direita).
O experimento com os roedores, elaborado pela equipe do bioquímico David Julius, da Universidade da Califórnia em San Francisco, deve por fim a uma polêmica nessa área de pesquisa, na qual alguns grupos ainda defendiam teorias diferentes. “O TRPM8 pode não ser o único receptor de frio, mas acho que podemos dizer que é o principal”, disse Julius à Folha.
Após mostrarem que a falta da proteína na superfície dos neurônios deixava os roedores insensíveis ao frio, os pesquisadores ainda fizeram experimentos com pedaços de pele extraídos dos animais e com neurônios isolados para confirmar o resultado.
O TRPM8 é uma proteína classificada pelos cientistas como um “canal” que fica na superfície de neurônios. Quando em contato com moléculas de mentol -ou com outras que o corpo produz quando submetido ao frio – ela bombeia cálcio para dentro do neurônio, fazendo-o disparar um impulso elétrico que transmite a sensação de frio ao cérebro. Um estudo descrevendo o processo saiu ontem no site da revista “Nature” (www.nature.com).

Caminhada no gelo
A proteína descrita por Julius, porém, parece não ser responsável por sensação de frio mais acentuado, abaixo de 10C. “Quando colocados em cima de gelo, os camundongos modificados percebem o frio, assim como os normais”, diz Julius. “Eles apenas levam um tempo maior para reconhecer o estímulo e finalmente procurar um lugar mais quente.”
Segundo o cientista, a descoberta de moléculas que modulam a sensação de temperatura no sistema nervoso pode ajudar na pesquisa de drogas analgésicas e antiinflamatórias. Em 1997, o próprio Julius já havia descoberto que a pimenta malagueta ativa a mesma via nervosa responsável por transmitir a dor de queimaduras.
O bioquímico, porém, deve continuar sua pesquisa no plano básico tentando descobrir o que transmite o frio abaixo de 10C. “Ainda não sabemos se isso tem a ver com reações nos vasos sangüíneos, se é um efeito direto em nervos sensoriais ou se é alguma outra coisa”, diz.
Segundo a bioquímica Bettina Malnic, da USP (Universidade de São Paulo), o trabalho de Julius oferece uma prova importante para teorias da área, mas ainda há muito trabalho a ser feito. “Os mecanismos que fazem o frio ou o calor ativarem esses canais são questões superinteressantes que não são conhecidos ainda”.

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