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Arquivos da Categoria: Palavras

Diz-se que quem modifica de tempos a tempos as suas ideias não merece qualquer confiança, porque faz supor que as suas últimas afirmações são tão erróneas como as anteriores. E, por outro lado, quem mantém as suas primeiras ideias e não as abandona facilmente, passa por teimoso e iludido. Perante estes dois juízos opostos da crítica, há só uma opção a fazer: permanecer-se aquilo que se é, e seguir-se apenas o próprio juízo.

Sigmund Freud, in ‘As Palavras de Freud’

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A noite passada acordei com o teu beijo 
descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo 
vinhas numa barca que não vi passar 
corri pela margem até à beira do mar 
até que te vi num castelo de areia cantavas 
"sou gaivota e fui sereia" ri-me de ti 
"então porque não voas?" e então tu olhaste 
depois sorriste abriste a janela e voaste  
A noite passada fui passear no mar a viola irmã 
cuidou de me arrastar chegado ao mar alto 
abriu-se em dois o mundo olhei para baixo 
dormias lá no fundo faltou-me o pé 
senti que me afundava por entre as algas 
teu cabelo boiava a lua cheia escureceu nas águas 
e então falámos e então dissemos aqui vivemos muitos anos  
A noite passada um paredão ruiu pela fresta aberta 
o meu peito fugiu estavas do outro lado 
a tricotar janelas vias-me em segredo ao debruçar-te nelas 
cheguei-me a ti disse baixinho "olá", 
toquei-te no ombro e a marca ficou lá o sol inteiro 
caiu entre os montes e então olhaste depois sorriste 
disseste "ainda bem que voltaste"
 
Sérgio Godinho

Quando o limite foi o impensável as palavras passam por aqui

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